“o olho aberto é um órgão do mundo, o olho fechado torna-se órgão do corpo.”  Gonçalo Tavares

 

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Para conhecermos um pouco sobre o Tempo, precisamos existir até desaparecer. É importante viver o início sem perceber sua ingenuidade, atravessar o meio com a sensação de estar presente e aproximar do fim em direção ao retorno de ser coisa. Ao menos alguma coisa perto de vento e pó. 

 

 

 

Ando em círculos para desconcentrar.

Abordo qualquer território pela incerteza ocular.

Desenho uma linha no escuro sobre um mapa.

Alimento o avesso.

Desconfio de todas as funções.

Dispenso toda memória que constitui subjetividade.

Sonambulo pelas nuances transitórias da deriva.

Considero todo objeto no caminho como um dispositivo de memória.

Coleto alguns objetos para escolher ser atingido.

Diluo poesia em imagem somente quando desnecessário.

Procuro caminhos inúteis entre ideias.

Dissolvo qualquer morfologia possível de acaso.

Penso em órbita.

Redireciono dúvidas para aprender sobre multiplicidade.

Manipulo o acaso com deriva em direção ao horizonte.

Construo planetas desertos.